— Adam Donaldson Powell

Redação: A falta de moradia e a fome no Brasil
A falta de moradia e a fome são problemas sociais que ainda atingem milhões de brasileiros. Mesmo sendo um país com muitos recursos e riquezas, o Brasil enfrenta grandes desafios relacionados à desigualdade, fazendo com que muitas pessoas não tenham acesso a direitos básicos, como uma casa segura e uma alimentação adequada.
A moradia é muito mais do que um lugar para dormir: ela representa proteção, dignidade e segurança. Porém, muitas famílias vivem nas ruas ou em condições precárias, sem acesso a serviços essenciais como água, energia, saneamento e atendimento adequado. Essa realidade mostra que a desigualdade social ainda é uma das maiores dificuldades enfrentadas pela população.
A fome também é uma consequência de diversos fatores, como o desemprego, a baixa renda e a falta de oportunidades. Muitas pessoas precisam escolher entre pagar uma conta, comprar remédios ou colocar comida na mesa. Crianças e adultos que passam por essa situação têm sua saúde e seu desenvolvimento prejudicados.
Para combater esses problemas, é necessário que o governo, as instituições e a sociedade trabalhem juntos. A criação de políticas públicas, programas de apoio, geração de empregos e distribuição de alimentos são medidas importantes para diminuir a pobreza e garantir melhores condições de vida.
Portanto, a falta de moradia e a fome não devem ser vistas como problemas individuais, mas como desafios de toda a sociedade. Garantir que todos tenham um lar e uma alimentação digna é um passo fundamental para construir um Brasil mais justo e humano.
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Poema: Vozes da Rua
Na calçada fria da cidade,
há histórias para contar,
gente que busca esperança,
um lugar para morar.
Uma casa não é só parede,
nem teto para proteger,
é um sonho de dignidade,
é um direito de viver.
A fome chega silenciosa,
machuca sem avisar,
rouba forças, rouba sonhos,
faz o coração chorar.
Mas existe uma esperança
que ninguém pode apagar:
quando a união floresce,
um novo dia pode chegar.
Que nunca falte carinho,
que nunca falte atenção,
pois um prato cheio e um lar
são sementes de transformação.
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A prudente conhecedora.

Passeando pelos corredores repletos de barris com seu carrinho carregado,
a prudente conhecedora
para periodicamente para
admirar as iguarias gastronômicas
em exposição.
Ela torce o nariz para as laranjas espanholas,
que estão amassadas e passadas;
e se encolhe diante do brócolis inferior —
tão amarelo e seco.
Mas seus olhos brilham com
descoberta e alegria quando
ela joga fora a tampa
da última lata de lixo
e silencia os desejos insensatos
de seu paladar refinado
com o charme simples
de verduras frescas e queijo brie curado.
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entre dois mundos
Copacabana brilhava em ouro líquido,
o Atlântico respirando lá embaixo
como um peito antigo, cansado de marés.
No último andar do hotel,
entre lustres de cristal e vozes baixas,
os pratos chegavam como pequenas obras de arte —
manteiga, tucupi, vinho branco,
flores comestíveis repousando
sobre peixes mais delicados que lembranças.
A cozinha franco-brasileira
tentava transformar o mundo em harmonia:
molhos sedosos, camarões dourados,
um perfume de ervas e fumaça
pairando entre taças de champanhe.
As pessoas mastigavam devagar
como quem acredita merecer beleza.
Mas eu havia chegado a pé.
Quatro quarteirões apenas,
e ainda assim parecia atravessar dois planetas.
Desviei de corpos encolhidos nas calçadas,
de homens dormindo sobre papelão úmido,
de mulheres pedindo moedas
com crianças agarradas ao silêncio.
Tinham descido das favelas
para procurar segurança sob as luzes da praia,
como náufragos procurando um farol
que nunca os chamaria pelo nome.
Quando o prato principal chegou,
eu já não tinha fome suficiente
para justificar aquele luxo.
Metade da comida ficou intacta,
intocada como culpa.
Pensei em pedir uma marmita
e senti vergonha —
não da pobreza,
mas da etiqueta,
da porcelana fina,
do absurdo de existir um protocolo
para sobras em um lugar
onde uma única garfada custava mais
que um dia inteiro de trabalho.
O garçom sorriu com gentileza antiga.
Disse, quase num sussurro:
“É costume dar aos pobres no caminho de casa.”
Como se dissesse:
a cidade já aprendeu a conviver
com sua própria ferida.
Saí carregando a embalagem quente
contra o peito.
A noite do Rio continuava linda demais,
perigosamente linda,
e eu distribuí a comida depressa,
sem coragem de olhar muito tempo
nos olhos de ninguém.
Um homem agradeceu.
Uma mulher beijou meus dedos.
Outro apenas segurou a sacola
como quem segura um milagre pequeno
e temporário.
Quando cheguei ao quarto do hotel,
chorei.
As janelas enormes mostravam o mar escuro,
e Manhattan voltou inteira à minha memória —
eu também desviando de moradores de rua
sob luzes frias de inverno,
apressado demais, ocupado demais,
treinado demais para não ver.
Mas no Rio
as distâncias pareciam mais cruéis.
Ali, riqueza e miséria
não viviam em bairros separados:
jantavam na mesma avenida,
respiravam o mesmo sal,
dividiam a mesma lua sobre o oceano.
Pensei em encurtar a viagem.
Quis fugir daquela beleza rachada,
da culpa que grudava na pele
feito maresia.
Mas não fui embora.
Na manhã seguinte,
peguei um ônibus local para Paraty.
E enquanto o Rio desaparecia pela janela,
com seus morros verdes
e seus contrastes impossíveis,
eu percebi que algumas cidades
não nos deixam partir intactos.


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