

Obituário de Albert Russo
1º de março de 2026
Albert Russo nasceu em 26 de fevereiro de 1943, na República Democrática do Congo, filho de um pai italiano sefardita e de uma mãe britânica. Cresceu em Ruanda, Burundi, Zimbábue e África do Sul.
Albert estudou na Universidade de Nova York, onde passou oito anos em Nova York; depois viveu nove anos em Milão, na Itália, antes de morar um ano em cada um dos seguintes países: Bélgica, Suíça e Alemanha, e quarenta anos em Paris. Mais tarde estabeleceu-se em Tel Aviv, Israel, onde deixou este mundo para a vida eterna em 15 de janeiro de 2026. O francês e o inglês eram suas duas “línguas maternas”, e ele também falava fluentemente italiano, espanhol e alemão, além de suaíli e hebraico. Descrevia-se como um homem sem um país designado, mas cidadão de muitas terras, comparando-se a uma planta aquática cujas muitas raízes se estendem para fora da água.
Escritor prolífico, Russo foi autor de mais de cem obras, incluindo romances, coletâneas de contos, poesia, ensaios e artigos, além de diversos volumes contendo suas estimadas fotografias. Sua obra foi publicada em inglês, francês e italiano e traduzida para uma dúzia de línguas. Fotógrafo apaixonado, suas imagens premiadas foram exibidas no Museu do Louvre, bem como na Times Square, em Nova York, e também na Índia, Rússia e Suíça.
Pai e avô muito amado, Albert Russo deixa sua querida filha Tatiana, seu dedicado filho Alexandre e seus filhos, bem como seu companheiro de vida, Bernard.
— Jeanette Skirvin
Albert: Por que sua obra é importante
A obra de Albert Russo é importante porque transcende consistentemente as fronteiras que tendem a confinar as literaturas nacionais — sejam elas linguísticas, culturais ou geográficas — e o faz a partir da experiência vivida, e não de uma distância teórica. Escrevendo em várias línguas e moldado por vínculos formativos com a África, a Europa e os Estados Unidos, ele explora as dimensões psicológicas e emocionais do deslocamento, da hibridez e da identidade pós-colonial sem reduzi-las a conclusões morais simplistas. Sua ficção frequentemente examina o significado de pertencer em um mundo estruturado pela migração e por desequilíbrios históricos, oferecendo aos leitores um olhar atento sobre personagens que enfrentam heranças divididas e lealdades sobrepostas. Assim, sua escrita participa de uma reconfiguração mais ampla da literatura contemporânea, na qual a identidade surge não como algo fixo, mas como um processo contínuo — e muitas vezes inquieto — de negociação cultural.
Seu compromisso com a diversidade estilística e com a reflexão ética é igualmente digno de nota. Suas narrativas frequentemente se afastam do realismo linear, empregando formas polifônicas, monólogo interior e perspectivas mutáveis — técnicas que refletem a instabilidade das realidades que ele retrata. Ao colocar vozes marginalizadas no centro e destacar os efeitos duradouros dos legados coloniais, sua obra abre diálogos sobre raça, memória e pertencimento que se estendem além da literatura, alcançando o pensamento social e político. Considerada em conjunto, sua produção oferece muito mais do que narrativa: constitui uma reflexão contínua sobre o entrelaçamento das histórias pessoais e coletivas, tornando sua contribuição especialmente relevante em uma época marcada pela mobilidade transnacional e pela interdependência cultural.
— Adam Donaldson Powell
Albert: O homem e o fenômeno
Os valores pessoais e políticos de Albert Russo são inseparáveis da trajetória transnacional de sua vida. Ele não se preocupava em ser politicamente correto, e suas posições sobre muitas questões eram provocativas e frequentemente desconcertantes para aqueles que têm dificuldade em compreender nuances ou em sustentar duas ideias aparentemente opostas ao mesmo tempo. Albert raramente se envolvia em polêmicas públicas ou conflitos interpessoais; em vez disso, expressava-se plenamente em sua escrita, levantando silenciosamente tempestades a partir de seu púlpito literário e deixando ao leitor a tarefa de confrontar e comparar seus próprios valores com os dele.
Sua mente vibrante alimentava sua constante resistência a políticas identitárias rígidas, hierarquias raciais e exclusivismo nacionalista. Tanto em seus compromissos pessoais quanto em sua prática literária, ele privilegiava o diálogo intercultural, a dignidade individual e a liberdade de expressão acima da conformidade ideológica. Sua visão de mundo refletia a convicção de que a identidade é fluida, e não fixa, e que a responsabilidade ética começa com o reconhecimento da humanidade compartilhada que persiste além das divisões históricas e geopolíticas.
Albert Russo pode ser compreendido como uma voz representativa moldada — e em resposta — às convulsões políticas dos séculos XX e XXI. Sua escrita explora as complexidades emocionais e morais do exílio, da migração e do pertencimento, ao mesmo tempo em que confronta os legados de controle social e de deslocamento cultural. Em vez de propor soluções políticas programáticas, sua obra tende a dramatizar as contradições vividas da experiência moderna, fazendo da empatia uma forma de resistência tanto ao esquecimento histórico quanto à intolerância contemporânea.
Esses valores influenciaram suas relações pessoais tanto quanto sua literatura. Ele não era antissocial, mas a escrita sempre vinha em primeiro lugar. Escrevia com paixão e com uma espécie de frenesi. Quando finalmente abandonou o sonho de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, ainda assim continuou a disputar outras distinções. Escrevia incessantemente, porque, enquanto escrevia, sentia-se vivo e poderoso. E, no entanto, seu gênio com as palavras e sua imersão em seus livros também lhe permitiam escapar de interações sociais desconfortáveis, às vezes provocadas por seu próprio desejo insaciável de fama. Se tinha um defeito, talvez fosse este: voar perto demais do sol.
— Adam Donaldson Powell
Adam Donaldson Powell (autor, colega, amigo e criador do Memorial Albert Russo)
Conheci Albert há mais de vinte anos por meio do cyberwit.net. Nós dois admirávamos a escrita um do outro e rapidamente formamos uma “equipe”. O fato de sermos escritores transnacionais e multilíngues fortaleceu nosso vínculo. Ajudávamos um ao outro a revisar e editar textos, compartilhávamos sugestões de escrita, escrevíamos introduções e resenhas para os livros um do outro e fomos coautores de “Gaytude”. Mais tarde, escrevi “Under the Shirttails of Albert Russo”.
Albert era um workaholic insaciável. A quantidade de trabalho que ele me dava era quase esmagadora, até que aprendi a dizer “não” e, quando necessário, “De jeito nenhum!”. Lol, às vezes ele podia ser um capataz insistente. Editei e li dezenas de milhares de páginas de manuscritos, mediei em seu nome em conflitos com outros autores e editores, expliquei sua política a editores e críticos e o defendi quando foi criticado injustamente por resenhistas equivocados. Ele também corrigiu e revisou minha poesia e prosa em francês.
Éramos muito próximos e nos amávamos. Eu era seu anjo e protetor, e ele era o meu. Meu mundo não é o mesmo sem Albert.
— Adam Donaldson Powell
Albert deixa para trás muitos tesouros — entre eles sua literatura premiada e seu talento para a fotografia. Ainda assim, também lembramos de um de seus amores mais profundos: seu amado Bernard. Lamentamos com você, B., e o mantemos em nossos pensamentos e orações.

Dr. Santosh Kumar, autor, crítico literário e editor da Taj Mahal Review
Trecho de seu livro:
Adam Donaldson Powell: a formação de um poeta
Jamais esquecerei a noite de setembro de 2008 em que conheci Powell e Russo pela primeira vez em Oslo, a noite em que, pela Graça de Deus, conversei com esses grandes poetas. Foi um milagre, quase inacreditável, conhecer Albert Russo, o autor bilíngue que escreve tanto em inglês quanto em francês, suas duas “línguas maternas”. A ocasião foi minha visita a Oslo, de 18 a 20 de setembro de 2008, para participar do WORDS – um caminho para a paz e o entendimento.
Esse festival internacional foi organizado sob os auspícios da organização cultural Du store verden!/DSV. O festival WORDS foi um grande sucesso graças aos esforços extraordinários de Eli Borchgrevink, diretora-gerente da Du store verden!/DSV, Adam D. Powell, Diane Oatley e outros.
Sou profundamente grato a Albert Russo por escrever um excelente prefácio para o meu livro. Ele recebeu muitos prêmios, como o American Society of Writers Fiction Award, o British Diversity Short Story Award, vários New York Poetry Forum Awards, os prêmios Amelia Prose and Poetry e o Prix Colette, entre outros. Também foi indicado aos prêmios de poesia W. B. Yeats e Robert Penn Warren.
Sua obra, elogiada por James Baldwin, Pierre Emmanuel, Paul Willems e Edmund White, foi publicada mundialmente em uma dúzia de idiomas. Seus romances africanos foram comparados favoravelmente à obra de V. S. Naipaul, que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2001. Ele também é membro do júri do Prix Européen e participou, em 1996, do painel do prestigioso Neustadt Prize for Literature, que frequentemente antecede o Prêmio Nobel.
Foi uma oportunidade maravilhosa conhecer esses dois grandes poetas.
Traducción al español
Obituario de Albert Russo
1 de marzo de 2026
Albert Russo nació el 26 de febrero de 1943 en la República Democrática del Congo, hijo de un padre italiano sefardí y de una madre británica. Creció en Ruanda, Burundi, Zimbabue y Sudáfrica.
Albert estudió en la Universidad de Nueva York, donde pasó ocho años en Nueva York; luego vivió nueve años en Milán, Italia, antes de residir un año en cada uno de los siguientes países: Bélgica, Suiza y Alemania, y cuarenta años en París. Más tarde se estableció en Tel Aviv, Israel, donde dejó este mundo para la vida eterna el 15 de enero de 2026. El francés y el inglés eran sus dos “lenguas maternas”, y también hablaba con fluidez italiano, español y alemán, además de suajili y hebreo. Se describía a sí mismo como un hombre sin un país designado, pero ciudadano de muchas tierras, comparándose con una planta acuática cuyas numerosas raíces se extienden fuera del agua.
Escritor prolífico, Russo fue autor de más de cien obras, entre ellas novelas, colecciones de cuentos, poesía, ensayos y artículos, además de varios volúmenes que contienen sus apreciadas fotografías. Su obra fue publicada en inglés, francés e italiano y traducida a una docena de idiomas. Fotógrafo apasionado, sus imágenes galardonadas se exhibieron en el Museo del Louvre, así como en Times Square, en Nueva York, y también en India, Rusia y Suiza.
Padre y abuelo muy amado, Albert Russo deja a su querida hija Tatiana, a su dedicado hijo Alexandre y a sus hijos, así como a su compañero de vida, Bernard.
— Jeanette Skirvin
Albert: Por qué su obra es importante
La obra de Albert Russo es importante porque trasciende constantemente las fronteras que tienden a confinar las literaturas nacionales —ya sean lingüísticas, culturales o geográficas— y lo hace desde la experiencia vivida, y no desde una distancia teórica. Al escribir en varias lenguas y estar moldeado por vínculos formativos con África, Europa y Estados Unidos, explora las dimensiones psicológicas y emocionales del desplazamiento, la hibridez y la identidad poscolonial sin reducirlas a conclusiones morales simplistas. Su ficción examina con frecuencia el significado de pertenecer en un mundo estructurado por la migración y los desequilibrios históricos, ofreciendo a los lectores una mirada atenta sobre personajes que enfrentan herencias divididas y lealtades superpuestas. De este modo, su escritura participa en una reconfiguración más amplia de la literatura contemporánea, en la cual la identidad surge no como algo fijo, sino como un proceso continuo —y a menudo inquieto— de negociación cultural.
Su compromiso con la diversidad estilística y la reflexión ética es igualmente notable. Sus narraciones se apartan con frecuencia del realismo lineal, empleando formas polifónicas, monólogo interior y perspectivas cambiantes —técnicas que reflejan la inestabilidad de las realidades que retrata. Al colocar voces marginadas en el centro y destacar los efectos duraderos de los legados coloniales, su obra abre diálogos sobre raza, memoria y pertenencia que se extienden más allá de la literatura, alcanzando el pensamiento social y político. Considerada en conjunto, su producción ofrece mucho más que narrativa: constituye una reflexión continua sobre el entrelazamiento de las historias personales y colectivas, haciendo que su contribución sea especialmente relevante en una época marcada por la movilidad transnacional y la interdependencia cultural.
— Adam Donaldson Powell
Albert: El hombre y el fenómeno
Los valores personales y políticos de Albert Russo son inseparables de la trayectoria transnacional de su vida. No le preocupaba ser políticamente correcto, y sus posiciones sobre muchas cuestiones eran provocativas y a menudo desconcertantes para quienes tienen dificultades para comprender los matices o sostener dos ideas aparentemente opuestas al mismo tiempo. Albert rara vez se involucraba en polémicas públicas o conflictos interpersonales; en cambio, se expresaba plenamente en su escritura, levantando silenciosamente tormentas desde su púlpito literario y dejando al lector la tarea de confrontar y comparar sus propios valores con los suyos.
Su mente vibrante alimentaba su constante resistencia a las políticas identitarias rígidas, a las jerarquías raciales y al exclusivismo nacionalista. Tanto en sus compromisos personales como en su práctica literaria, privilegiaba el diálogo intercultural, la dignidad individual y la libertad de expresión por encima de la conformidad ideológica. Su visión del mundo reflejaba la convicción de que la identidad es fluida, no fija, y que la responsabilidad ética comienza con el reconocimiento de la humanidad compartida que persiste más allá de las divisiones históricas y geopolíticas.
Albert Russo puede entenderse como una voz representativa moldeada —y en respuesta— a las convulsiones políticas de los siglos XX y XXI. Su escritura explora las complejidades emocionales y morales del exilio, la migración y la pertenencia, al mismo tiempo que confronta los legados de control social y desplazamiento cultural. En lugar de proponer soluciones políticas programáticas, su obra tiende a dramatizar las contradicciones vividas de la experiencia moderna, haciendo de la empatía una forma de resistencia tanto al olvido histórico como a la intolerancia contemporánea.
Estos valores influyeron en sus relaciones personales tanto como en su literatura. No era antisocial, pero la escritura siempre venía primero. Escribía con pasión y con una especie de frenesí. Cuando finalmente abandonó el sueño de ganar el Premio Nobel de Literatura, aun así continuó aspirando a otras distinciones. Escribía incesantemente porque, mientras escribía, se sentía vivo y poderoso. Y, sin embargo, su genio con las palabras y su inmersión en sus libros también le permitían escapar de interacciones sociales incómodas, a veces provocadas por su propio deseo insaciable de fama. Si tenía un defecto, tal vez era este: volar demasiado cerca del sol.
— Adam Donaldson Powell
Adam Donaldson Powell
(autor, colega, amigo y creador del Memorial Albert Russo)
Conocí a Albert hace más de veinte años a través de cyberwit.net. Ambos admirábamos la escritura del otro y rápidamente formamos un “equipo”. El hecho de que fuéramos escritores transnacionales y multilingües fortaleció nuestro vínculo. Nos ayudábamos mutuamente a revisar y editar textos, compartíamos sugerencias de escritura, escribíamos introducciones y reseñas para los libros del otro y fuimos coautores de “Gaytude”. Más tarde escribí “Under the Shirttails of Albert Russo”.
Albert era un adicto al trabajo insaciable. La cantidad de trabajo que me daba era casi abrumadora, hasta que aprendí a decir “no” y, cuando era necesario, “¡De ninguna manera!”. Jaja, a veces podía ser un capataz insistente. Edité y leí decenas de miles de páginas de manuscritos, medié en su nombre en conflictos con otros autores y editores, expliqué su política a editores y críticos y lo defendí cuando fue criticado injustamente por reseñistas equivocados. Él también corrigió y revisó mi poesía y mi prosa en francés.
Éramos muy cercanos y nos queríamos. Yo era su ángel y protector, y él era el mío. Mi mundo no es el mismo sin Albert.
— Adam Donaldson Powell
Albert deja atrás muchos tesoros —entre ellos su literatura premiada y su talento para la fotografía—. Sin embargo, también recordamos uno de sus amores más profundos: su amado Bernard. Lamentamos contigo, B., y te mantenemos en nuestros pensamientos y oraciones.

Dr. Santosh Kumar
(autor, crítico literario y editor de Taj Mahal Review)
Extracto de su libro:
Adam Donaldson Powell: la formación de un poeta
Nunca olvidaré la noche de septiembre de 2008 en que conocí a Powell y a Russo por primera vez en Oslo, la noche en que, por la Gracia de Dios, conversé con estos grandes poetas. Fue un milagro, casi increíble, conocer a Albert Russo, el autor bilingüe que escribe tanto en inglés como en francés, sus dos “lenguas maternas”. La ocasión fue mi visita a Oslo, del 18 al 20 de septiembre de 2008, para participar en WORDS – un camino hacia la paz y el entendimiento.
Este festival internacional fue organizado bajo los auspicios de la organización cultural Du store verden!/DSV. El festival WORDS fue un gran éxito gracias a los extraordinarios esfuerzos de Eli Borchgrevink, directora ejecutiva de Du store verden!/DSV, Adam D. Powell, Diane Oatley y otros.
Estoy profundamente agradecido a Albert Russo por escribir un excelente prefacio para mi libro. Recibió numerosos premios, como el American Society of Writers Fiction Award, el British Diversity Short Story Award, varios New York Poetry Forum Awards, los premios Amelia Prose and Poetry y el Prix Colette, entre otros. También fue nominado para los premios de poesía W. B. Yeats y Robert Penn Warren.
Su obra, elogiada por James Baldwin, Pierre Emmanuel, Paul Willems y Edmund White, fue publicada mundialmente en una docena de idiomas. Sus novelas africanas han sido comparadas favorablemente con la obra de V. S. Naipaul, quien recibió el Premio Nobel de Literatura en 2001. También fue miembro del jurado del Prix Européen y participó, en 1996, en el panel del prestigioso Neustadt Prize for Literature, que a menudo precede al Premio Nobel.
Fue una oportunidad maravillosa conocer a estos dos grandes poetas.
Oversettelse til norsk
Nekrolog over Albert Russo
1. mars 2026
Albert Russo ble født 26. februar 1943 i Den demokratiske republikken Kongo, som sønn av en sefardisk-italiensk far og en britisk mor. Han vokste opp i Rwanda, Burundi, Zimbabwe og Sør-Afrika.
Albert studerte ved New York University, hvor han tilbrakte åtte år i New York; deretter bodde han ni år i Milano i Italia, før han tilbrakte ett år i hvert av følgende land: Belgia, Sveits og Tyskland, og førti år i Paris. Senere bosatte han seg i Tel Aviv i Israel, hvor han forlot denne verden til det evige liv den 15. januar 2026. Fransk og engelsk var hans to «morsmål», og han snakket også flytende italiensk, spansk og tysk, samt swahili og hebraisk. Han beskrev seg selv som en mann uten et bestemt land, men som en borger av mange steder, og sammenlignet seg med en vannplante hvis mange røtter strekker seg ut av vannet.
En svært produktiv forfatter, Russo var opphavsmann til mer enn hundre verk, inkludert romaner, novellesamlinger, poesi, essays og artikler, i tillegg til flere bind med hans verdsatte fotografier. Arbeidene hans ble publisert på engelsk, fransk og italiensk og oversatt til et dusin språk. Som lidenskapelig fotograf ble hans prisbelønte bilder utstilt ved Louvre-museet, samt på Times Square i New York, og også i India, Russland og Sveits.
En høyt elsket far og bestefar etterlater Albert Russo seg sin kjære datter Tatiana, sin hengivne sønn Alexandre og hans barn, samt sin livspartner Bernard.
— Jeanette Skirvin
Albert: Hvorfor hans verk er viktige
Albert Russos verk er viktige fordi de konsekvent overskrider grensene som ofte avgrenser nasjonale litteraturer — enten de er språklige, kulturelle eller geografiske — og gjør det ut fra levd erfaring, ikke fra en teoretisk distanse. Ved å skrive på flere språk og være formet av sterke bånd til Afrika, Europa og USA, utforsker han de psykologiske og emosjonelle dimensjonene ved forflytning, hybriditet og postkolonial identitet uten å redusere dem til forenklede moralske konklusjoner. Hans skjønnlitteratur undersøker ofte hva det betyr å høre til i en verden strukturert av migrasjon og historiske skjevheter, og gir leserne et oppmerksomt blikk på karakterer som lever med delte arvetradisjoner og overlappende lojaliteter. Slik deltar hans forfatterskap i en bredere omforming av samtidslitteraturen, der identitet ikke fremstår som noe fast, men som en kontinuerlig — og ofte urolig — prosess av kulturell forhandling.
Hans engasjement for stilistisk mangfold og etisk refleksjon er like bemerkelsesverdig. Fortellingene hans beveger seg ofte bort fra lineær realisme og benytter polyfone former, indre monolog og skiftende perspektiver — teknikker som speiler ustabiliteten i virkelighetene han skildrer. Ved å plassere marginaliserte stemmer i sentrum og fremheve de varige virkningene av koloniale arv, åpner hans verk dialoger om rase, minne og tilhørighet som strekker seg utover litteraturen og inn i sosial og politisk tenkning. Sett samlet tilbyr hans produksjon langt mer enn fortelling: den utgjør en vedvarende refleksjon over sammenvevingen av personlige og kollektive historier, noe som gjør hans bidrag særlig relevant i en tid preget av transnasjonal mobilitet og kulturell gjensidig avhengighet.
— Adam Donaldson Powell
Albert: Mennesket og fenomenet
Albert Russos personlige og politiske verdier er uløselig knyttet til den transnasjonale livsbanen hans. Han var ikke opptatt av å være politisk korrekt, og hans standpunkter i mange spørsmål var provoserende og ofte forvirrende for dem som har vanskeligheter med å forstå nyanser eller holde to tilsynelatende motstridende ideer samtidig. Albert engasjerte seg sjelden i offentlige polemikker eller personlige konflikter; i stedet uttrykte han seg fullt ut gjennom sin skriving, hvor han stille reiste stormer fra sin litterære talerstol og lot leseren konfrontere og sammenligne egne verdier med hans.
Hans livlige sinn næret en vedvarende motstand mot rigide identitetspolitikker, rasemessige hierarkier og nasjonalistisk eksklusivisme. Både i sine personlige forpliktelser og i sin litterære praksis satte han interkulturell dialog, individuell verdighet og ytringsfrihet høyere enn ideologisk konformitet. Hans verdenssyn gjenspeilte overbevisningen om at identitet er flytende, ikke fast, og at etisk ansvar begynner med anerkjennelsen av den felles menneskeligheten som består på tvers av historiske og geopolitiske skillelinjer.
Albert Russo kan forstås som en representativ stemme formet av — og som svar på — de politiske omveltningene i det 20. og 21. århundre. Hans skriving utforsker de emosjonelle og moralske kompleksitetene ved eksil, migrasjon og tilhørighet, samtidig som den konfronterer arv etter sosial kontroll og kulturell fordrivelse. I stedet for å foreslå programatiske politiske løsninger dramatiserer hans verk ofte de levde motsetningene i den moderne erfaringen, og gjør empati til en form for motstand både mot historisk glemsel og mot samtidens intoleranse.
Disse verdiene påvirket hans personlige relasjoner like mye som hans litteratur. Han var ikke usosial, men skrivingen kom alltid først. Han skrev med lidenskap og en slags frenesi. Da han til slutt oppga drømmen om å vinne Nobelprisen i litteratur, fortsatte han likevel å strebe etter andre utmerkelser. Han skrev ustanselig, fordi han mens han skrev følte seg levende og sterk. Samtidig gjorde hans geni med ord og hans fordypning i bøker det også mulig for ham å unnslippe ubehagelige sosiale interaksjoner, noen ganger fremkalt av hans egen umettelige lengsel etter berømmelse. Hvis han hadde en svakhet, var det kanskje denne: å fly for nær solen.
— Adam Donaldson Powell
Adam Donaldson Powell
(forfatter, kollega, venn og skaper av Memorial Albert Russo)
Jeg møtte Albert for mer enn tjue år siden gjennom cyberwit.net. Vi beundret begge hverandres skriving og dannet raskt et «team». Det at vi begge var transnasjonale og flerspråklige forfattere styrket båndet mellom oss. Vi hjalp hverandre med å revidere og redigere tekster, delte skriveforslag, skrev introduksjoner og anmeldelser til hverandres bøker, og var medforfattere av Gaytude. Senere skrev jeg Under the Shirttails of Albert Russo.
Albert var en umettelig arbeidsnarkoman. Mengden arbeid han ga meg var nesten overveldende, helt til jeg lærte å si «nei» og, når det var nødvendig, «på ingen måte!». Haha — noen ganger kunne han være en pågående arbeidsleder. Jeg redigerte og leste titusenvis av sider med manuskripter, meklte på hans vegne i konflikter med andre forfattere og redaktører, forklarte hans politikk for redaktører og kritikere, og forsvarte ham når han ble urettferdig kritisert av feilinformerte anmeldere. Han korrigerte og reviderte også min poesi og prosa på fransk.
Vi sto hverandre svært nær og var glade i hverandre. Jeg var hans engel og beskytter, og han var min. Min verden er ikke den samme uten Albert.
— Adam Donaldson Powell
Albert etterlater seg mange skatter — blant dem sin prisbelønte litteratur og sitt talent for fotografi. Likevel minnes vi også en av hans dypeste kjærligheter: hans kjære Bernard. Vi sørger sammen med deg, B., og holder deg i våre tanker og bønner.

Dr. Santosh Kumar
(forfatter, litteraturkritiker og redaktør for Taj Mahal Review)
Utdrag fra hans bok:
Adam Donaldson Powell: tilblivelsen av en poet
Jeg vil aldri glemme kvelden i september 2008 da jeg møtte Powell og Russo for første gang i Oslo — kvelden da jeg, ved Guds nåde, fikk samtale med disse store poetene. Det var et mirakel, nesten utrolig, å møte Albert Russo, den tospråklige forfatteren som skriver både på engelsk og fransk, hans to «morsmål». Anledningen var mitt besøk i Oslo fra 18. til 20. september 2008 for å delta i WORDS – en vei til fred og forståelse.
Denne internasjonale festivalen ble organisert under beskyttelse av kulturorganisasjonen Du store verden!/DSV. WORDS-festivalen ble en stor suksess takket være den ekstraordinære innsatsen til Eli Borchgrevink, daglig leder i Du store verden!/DSV, Adam D. Powell, Diane Oatley og andre.
Jeg er dypt takknemlig overfor Albert Russo for å ha skrevet et fremragende forord til boken min. Han mottok mange priser, blant annet American Society of Writers Fiction Award, British Diversity Short Story Award, flere New York Poetry Forum Awards, Amelia Prose and Poetry-prisene og Prix Colette, blant andre. Han ble også nominert til poesiprisene W. B. Yeats og Robert Penn Warren.
Hans verk, rost av James Baldwin, Pierre Emmanuel, Paul Willems og Edmund White, er blitt publisert over hele verden på et dusin språk. Hans afrikanske romaner er blitt sammenlignet med verkene til V. S. Naipaul, som mottok Nobelprisen i litteratur i 2001. Han var også medlem av juryen for Prix Européen og deltok i 1996 i panelet for den prestisjefylte Neustadt Prize for Literature, som ofte regnes som en forløper til Nobelprisen.
Det var en vidunderlig anledning å møte disse to store poetene.

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