la discusión 🇦🇷 / a discussão 🇧🇷 / the discussion 🇺🇸

Two people talking with a beer bottle on a wooden deck by the ocean at sunset

Com um histórico político tão complexo, Portugal e Brasil talvez nunca cheguem a um acordo pleno. Concordar em discordar é o caminho mais harmonioso a seguir.

Digo o mesmo sobre os conflitos culturais entre Argentina e Brasil, mas o respeito mútuo pelas leis e costumes de cada país é um bom começo.

La discusión 🇦🇷

En el húmedo anochecer de Florianópolis,
donde el mar rodaba plateado bajo gaviotas cansadas,
dos hombres se sentaban separados
en un restaurante angosto
de paredes saladas y mesas inestables.

Uno venía de Rosario, elegante,
con ojos oscuros bajo el ceño fruncido.
El otro era de Porto Alegre, de manos anchas,
hombros quemados por el sol
y sandalias llenas de arena.

Entre ellos flotaban ajo, pescado frito
y el murmullo espumoso de la cerveza.
El televisor sobre la barra
mostraba un viejo partido de Libertadores
con el volumen bajo,
como si el propio lugar temiera problemas.

El argentino observaba a los brasileños reír—
demasiado fuerte, pensaba, demasiado desordenados.
Se interrumpían, se abrazaban,
mezclaban portugués con gestos y carcajadas
como si la gramática fuese opcional.

¿Por qué no aprenden español?
pensó con amargura.
Recorremos medio continente para venir aquí.
Aunque él mismo no sabía pedir sal
sin señalar torpemente el salero.

Al otro lado del salón,
el brasileño lo miraba irritado.
Otro turista argentino con cara de superioridad,
otro hombre capaz de estirar un solo peso
como si fuese palabra sagrada.

Recordaba las playas después de enero—
botellas plásticas en las dunas,
colillas enterradas en la arena.
Recordaba los cantos de fútbol:
“¡Macacos da selva!”
Monos criados en la jungla.

Y recordaba también a los dueños de restaurantes
suspirando frente a cuentas impagas
al final de la noche.

Finalmente sus miradas chocaron.
El aire se tensó.

—Ustedes llegan aquí —dijo el brasileño—
y tratan la isla como si fuera una liquidación.

El argentino resopló.
—Al menos nosotros sabemos comportarnos en público.

—¿Sí? ¿Como reyes que olvidan la billetera?

—Al menos no gritamos en los restaurantes.

—Al menos no insultamos a todo un país.

El dueño se quedó inmóvil detrás de la barra.
Hasta la multitud del televisor
pareció guardar silencio.

El argentino se levantó primero.
El brasileño lo imitó.
Las sillas rasparon el piso
como cuchillos afilándose.

Por un largo segundo
Florianópolis contuvo el aliento.

Entonces apareció la camarera
con dos botellas heladas de cerveza
que nadie había pedido.

—Basta ya —dijo suspirando—.
Ustedes dos parecen un matrimonio.

Unos pescadores al fondo soltaron carcajadas.
La tensión se quebró.

El brasileño sonrió primero.
El argentino intentó no reírse
y fracasó de inmediato.

Pronto estaban bebiendo juntos,
todavía discutiendo, pero más tranquilos.

Sobre fútbol.
Sobre madres.
Sobre inflación.
Sobre cuál asado merecía la eternidad.

El argentino confesó
que siempre había querido aprender portugués
pero que los sonidos nasales le parecían imposibles.

El brasileño admitió
que jamás había conocido a alguien de Buenos Aires
que dejara buenas propinas.

Llegó otra cerveza.
Y otra más.

A medianoche compartían cigarrillos
bajo el viento húmedo del Atlántico,
llamándose hermano,
insultándose ya con cariño,
como hacen los amigos antiguos.

Y años después, cada vez que se reencontraban—
en São Paulo, en Córdoba,
o en algún kiosco perdido frente al mar—
contaban la historia entre risas:

cómo el odio se había disuelto
no por la política,
ni por la historia,
ni por el fútbol,

sino por cerveza fría,
pescado frito
y el extraño milagro
de finalmente sentarse en la misma mesa.


A discussão 🇧🇷

No entardecer úmido de Florianópolis,
onde o mar rolava prateado sob gaivotas cansadas,
dois homens estavam sentados separados
num restaurante pequeno,
de paredes salgadas e mesas bambas.

Um vinha de Rosário, elegante,
olhos escuros sob a testa franzida.
O outro era de Porto Alegre, de mãos largas,
ombros queimados de sol
e sandálias cheias de areia.

Entre eles flutuavam cheiro de alho, peixe frito
e o murmúrio espumante da cerveja.
A televisão acima do balcão
passava um velho jogo da Libertadores
com o volume baixo,
como se o próprio lugar temesse confusão.

O argentino observava os brasileiros rindo—
alto demais, pensava ele, desorganizados demais.
Interrompiam uns aos outros, se abraçavam,
misturavam português com gestos e gargalhadas
como se gramática fosse opcional.

Por que eles não aprendem espanhol?
pensou com amargura.
A gente atravessa meio continente pra vir até aqui.
Embora ele mesmo não soubesse pedir sal
sem apontar desajeitadamente para o saleiro.

Do outro lado do salão,
o brasileiro o encarava irritado.
Mais um turista argentino com ar de superioridade,
mais um sujeito capaz de esticar um único peso
como se fosse escritura sagrada.

Ele lembrava das praias depois de janeiro—
garrafas plásticas nas dunas,
bitucas enterradas na areia.
Lembrava dos cantos de futebol:
“Macacos da selva!”
Macacos criados na floresta.

E lembrava também dos donos de restaurante
suspirando diante de contas não pagas
no fim da noite.

Por fim os olhares se cruzaram.
O ar ficou tenso.

—Vocês chegam aqui —disse o brasileiro—
e tratam a ilha como se fosse liquidação.

O argentino bufou.
—Pelo menos nós sabemos nos comportar em público.

—Ah, é? Como reis que esquecem a carteira?

—Pelo menos não gritamos em restaurante.

—Pelo menos não insultamos um país inteiro.

O dono do lugar congelou atrás do balcão.
Até a torcida na televisão
pareceu ficar em silêncio.

O argentino levantou primeiro.
O brasileiro fez o mesmo.
As cadeiras arranharam o chão
como facas sendo afiadas.

Por um longo segundo
Florianópolis prendeu a respiração.

Então surgiu a garçonete
com duas garrafas geladas de cerveja
que ninguém tinha pedido.

—Chega disso —disse ela, suspirando—.
Vocês dois parecem um casal brigando.

Alguns pescadores no fundo deram risada.
A tensão se quebrou.

O brasileiro sorriu primeiro.
O argentino tentou não rir
e fracassou imediatamente.

Logo estavam bebendo juntos,
ainda discutindo, mas mais leves.

Sobre futebol.
Sobre mães.
Sobre inflação.
Sobre qual churrasco merecia a eternidade.

O argentino confessou
que sempre quis aprender português,
mas achava impossíveis aqueles sons nasais.

O brasileiro admitiu
que nunca tinha conhecido alguém de Buenos Aires
que deixasse boa gorjeta.

Veio outra cerveja.
E mais outra.

À meia-noite dividiam cigarros
sob o vento úmido do Atlântico,
chamando um ao outro de hermano,
xingando-se já com carinho,
como velhos amigos fazem.

E anos depois, sempre que se reencontravam—
em São Paulo, em Córdoba,
ou em algum quiosque perdido à beira-mar—
contavam a história rindo:

como o ódio tinha se dissolvido
não pela política,
nem pela história,
nem pelo futebol,

mas por cerveja gelada,
peixe frito
e o estranho milagre
de finalmente sentarem à mesma mesa.

— Adam Donaldson Powell 

Hands clinking amber beer bottles over a seafood platter with shrimp, mussels, and sauces on a wooden table at sunset by the sea.

______________________________

Group of five people sitting at a wooden picnic table on a pier near calm water while stormy waves crash on the other side

Translation for The Gringos:

The discussion 🇺🇸

In the humid dusk of Florianópolis,
where the sea rolled silver under tired gulls,
two men sat apart in a narrow restaurant
with wobbling chairs and salt in the walls.

One was from Rosario, sharp-collared,
wine-dark eyes beneath a furrowed brow.
The other from Porto Alegre, broad-handed,
sunburned shoulders, sandals full of sand.

Between them drifted garlic, fried fish,
and the murmuring hiss of beer taps.
The television above the counter
played an old Libertadores match
with the sound turned low,
as if the room itself feared trouble.

The Argentinian watched the Brazilians laughing—
too loud, he thought, too careless with words.
They slapped backs, interrupted each other,
mixed Portuguese with gestures and grins
like grammar was optional.

Why don’t they learn Spanish? he wondered bitterly.
We cross half a continent to come here.
Though he himself could not ask for salt
without pointing awkwardly at the shaker.

Across the room the Brazilian stared back, annoyed.
Another Argentine tourist with a superior face,
another man who stretched a single peso
like it was sacred scripture.

He remembered beaches after January crowds—
plastic bottles in dunes, cigarette stubs in sand.
He remembered football chants:
“Macacos da selva!”
Monkeys raised in the jungle.

And he remembered restaurant owners sighing,
counting unpaid tabs at midnight.

Their eyes met at last.
The air tightened.

“You people arrive here,”
said the Brazilian,
“and treat the island like a bargain bin.”

The Argentinian snorted.
“At least we know how to behave in public.”

“Oh yes? Like kings who forgot their wallets?”

“At least we don’t scream across restaurants.”

“At least we don’t insult an entire country.”

The owner behind the counter froze mid-polish.
Even the television crowd seemed to hush.

The Argentinian stood first.
The Brazilian followed.
Chairs scraped like knives being sharpened.

For one long second
Florianópolis held its breath.

Then the waitress arrived
with two sweating bottles of beer
she had not been asked to bring.

“Enough,” she sighed.
“You both sound married already.”

A few fishermen laughed from the back tables.
The tension cracked.

The Brazilian smirked first.
The Argentinian tried not to laugh
and failed immediately.

Soon they were drinking together,
arguing still—but softer now.

About football.
About mothers.
About inflation.
About whose barbecue deserved eternity.

The Argentinian confessed
he had always wanted to learn Portuguese
but found the nasal sounds impossible.

The Brazilian admitted
he had never met anyone from Buenos Aires before
who tipped generously.

Another beer arrived.
Then another.

By midnight they were sharing cigarettes
outside beneath the wet Atlantic wind,
calling each other hermano,
insulting each other affectionately
with the ease reserved for old friends.

And years later, whenever they met again—
whether in São Paulo, Córdoba,
or some nameless beach kiosk at summer’s edge—
they would tell the story laughing:

How hatred dissolved
not through politics,
nor history,
nor football,

but through cold beer,
fried fish,
and the strange miracle
of finally sitting at the same table.

— Adam Donaldson Powell

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Hands holding beer bottles labeled Harbor Brewery IPA and Sea Breeze Lager over a plate of fried fish, chips, lime wedge, and tartar sauce

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