— Adam Donaldson Powell

DIAS DE CÃO
Em dias de cão,
quando nada dá certo,
os jovens impacientes reclamam
que os deuses não estão
do seu lado.
Seus lábios franzidos
podem se gabar de indiferença
mas as cicatrizes reveladoras
de abuso de si mesmo destacam
a miséria da derrota.
— Adam Donaldson Powell
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DIAS DE SAL
Dias de sal
Há dias
em que o sal
chega antes do mar.
Está na grade
que perde tinta.
No parafuso.
Na dobradiça
que aprende
o peso da porta.
Está na camisa.
No colarinho.
Na pele
entre ombro
e manga.
Morro
desce
em sola gasta.
Asfalto
sobe
em calor.
Ônibus
mastiga
corpos de pé.
Cristo
permanece
onde maresia
não alcança.
No braço,
uma linha branca.
Outra.
No punho,
quatro meias-luas
fundas o bastante
para amanhecer.
Nada diz
de onde vieram.
Ferrugem
também não diz
quem a alimenta.
Fim da tarde.
Praia
recebe
mais um dia.
Onda
apaga
desenho
dos pés.
Sal,
não.
Continua
na ferrugem,
na pele,
naquilo
que o corpo
aprendeu
a gastar.
— Adam Donaldson Powell

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