ROSAS BRANCAS 🇧🇷✍🏻

um poema meu, reescrito ao estilo de Álvares de Azevedo 

ROSAS BRANCAS

Rosas de alvura triste repousavam, mudas,
sobre o cristal da neve enregelada;
tão perto do lugar onde, algum dia,
se erguerá silenciosa a pedra fria,
orgulho inútil dos que ficam,
sobre a erva indômita que desafia o inverno,
sobre as folhas errantes e as perenes
que bordam a campina com as cores da esperança.

Então caiu a primeira lágrima.

Desceu, lenta e febril, por minha face
que o vento consumira com seu beijo glacial;
e outras vieram logo, como irmãs do desalento,
a procurar, nas sombras do infinito,
o segredo da vida e da sepultura,
esses mistérios que Deus encerra em seu silêncio
e que tua partida — tão súbita, tão cruel —
deixou gravados para sempre em minha alma.

Dizem-me os amigos:

“Vive. Caminha. Não prendas o coração
ao mármore dos túmulos. Recorda antes
as horas em que seu espírito sorriu ao seu redor,
o tesouro das memórias que o tempo não profana,
as experiências benditas que fizeram de ti
o homem singular que hoje respira
e que ainda deixará, por onde passe,
um pouco da luz que dele recebeu.”

Mas eu não creio.

Creio somente nas humildes minhocas,
sacerdotes obscuros da terra silenciosa,
que, em paciente labor, desfazem a carne,
os ossos venerados e a cinza amada,
para lhes dar outra existência.

Creio na sepultura fecunda.

Porque do pó nascerão as flores,
e mãos ainda não nascidas as colherão um dia,
sem conhecer o nome daquele que as nutriu.

E quando, por capricho do destino,
eu também descer à noite eterna,
talvez encontre enfim, ao teu lado,
as respostas que hoje procuras
e que minhas lágrimas, em vão,
tentaram descobrir sobre a neve.

— Adam Donaldson Powell 

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White flowers glowing softly on forest ground at night

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