Cornudos e adúlteras

no Império Romano, no Renascimento e hoje no Brasil

Estou lendo “A novela no inicio de Renascimento”, de Erich Auerbach. Nela, Auerbach argumenta que histórias sobre adultério de esposas (nas quais mulheres/esposas não eram percebidas como “personalidades” em pé de igualdade com os homens) eram comuns nos romances italianos do início do Renascimento (e, em menor grau, nos franceses). Parece que isso também era comum na época romana. E mesmo na Itália de hoje — veja o filme “Divórcio à Italiana” e artigos recentes na mídia italiana sobre “cornos”: https://www.oggi.it/gossip/amori/2024/06/30/cristina-seymandi-lintervista-un-anno-dopo-la-notte-della-vergogna-con-massimo-segre-sono-una-donna-di-luce/

Aqui estão alguns trechos gerados por IA sobre os tópicos:

Embora não seja universalmente aceito, o adultério era generalizado e complexo na Roma Antiga, com um notável duplo padrão entre homens e mulheres. Enquanto a sociedade romana geralmente desaprovava o adultério, especialmente para mulheres, homens poderosos frequentemente tinham concubinas e se envolviam em casos extraconjugais com pouco estigma social.

Aqui está uma análise mais detalhada:

Duplo Padrão: O adultério era considerado principalmente um crime contra a família e o Estado quando cometido por uma mulher. Maridos podiam ter relações extraconjugais com escravas, prostitutas ou mulheres solteiras sem enfrentar as mesmas repercussões legais ou sociais.

Lex Julia: A Lex Julia, introduzida pelo Imperador Augusto, visava limitar o adultério e promover os valores familiares—no entanto, era voltada principalmente para as mulheres e não abordava completamente a infidelidade masculina.

Poder e Status: Homens poderosos na sociedade romana frequentemente tinham múltiplos relacionamentos, e ter relacionamentos com mulheres de posição social mais elevada podia ser visto como uma forma de ganhar influência ou status.

Mudanças de Atitude: Embora o adultério fosse geralmente condenado, as atitudes em relação a ele oscilaram ao longo da história romana. A dinastia Antonina testemunhou uma mudança na moralidade em relação à sexualidade e ao casamento.

Julgamentos morais: Apesar da aceitação legal e social da infidelidade masculina, ainda havia uma crítica moral à promiscuidade excessiva e ao reconhecimento de que ela poderia comprometer a estabilidade familiar.

Pater Familias: O poder do pater familias (chefe da família) desempenhava um papel na forma como o adultério era percebido e tratado, visto que ele tinha autoridade sobre a família e sua honra.

Estudo de Caso: Clódia: O caso de Clódia, uma nobre romana, destaca a duplicidade de critérios e o julgamento social sobre mulheres acusadas de adultério.

Autores Romanos e a Reforma: Alguns autores romanos, como Musônio Rufo, criticaram a duplicidade de critérios e defenderam uma visão mais igualitária da moralidade no casamento. Embora a prevalência do adultério durante o início do Renascimento seja difícil de quantificar com precisão, as evidências sugerem que era relativamente comum, apesar das proibições religiosas e sociais. O adultério, particularmente entre os homens, era frequentemente tolerado ou ignorado, enquanto as mulheres enfrentavam penas mais severas e estigma social. Veja mais detalhes:

Contexto Religioso e Legal: O direito canônico condenava o adultério, e tanto as autoridades religiosas quanto as seculares podiam impor punições. No entanto, a aplicação dessas leis variava, e as normas sociais frequentemente diferiam dos pronunciamentos legais.

Duplicidade de Critérios: Havia uma clara duplicidade de critérios. Embora casos extraconjugais fossem geralmente desaprovados, eram mais facilmente aceitos para homens do que para mulheres. Isso decorreu de preocupações com a manutenção de linhagens sanguíneas claras e da ideia de que as mulheres eram essencialmente “propriedade”.

Público vs. Privado: Demonstrações públicas de afeto ou relações sexuais fora do casamento eram frequentemente desencorajadas ou punidas, mas casos privados eram às vezes tolerados, especialmente entre a elite.

Tolerância Social: Apesar da desaprovação, algumas evidências sugerem que casos extraconjugais eram relativamente comuns, especialmente entre os homens. A existência de cortesãs e amantes em alguns círculos indica um grau de aceitação, embora não oficialmente tolerado, de acordo com um artigo da Universidade de Tulsa e do International Viewpoint.

Consequências: Enquanto alguns homens enfrentavam repercussões sociais por adultério, as mulheres frequentemente enfrentavam consequências mais severas, incluindo humilhação pública, multas ou até mesmo castigos físicos.

Mudanças de Opinião: O Renascimento viu uma mudança gradual nas atitudes em relação à sexualidade, com alguns questionando a hipocrisia de homens que elogiavam a família enquanto se envolviam em casos extraconjugais.

O Brasil de hoje? 

Embora o Brasil tenha a reputação de ser uma cultura que valoriza o prazer e tenha uma alta taxa de divórcios, não é exato dizer que há “muito” adultério. Estudos mostram que uma porcentagem significativa de brasileiros, tanto homens quanto mulheres, admite ter sido infiel em seus relacionamentos, mas isso não se traduz necessariamente em infidelidade generalizada. Alguns relatos sugerem um forte foco na fidelidade e na possessividade nos relacionamentos, com alguns indivíduos experimentando ciúme intenso e controle por parte de seus parceiros.

Aqui está uma análise mais detalhada:

Admissões de infidelidade:

Estudos indicam que uma parcela considerável de brasileiros admitiu ter traído seus parceiros, com alguns até confessando múltiplas ocorrências.

Contexto cultural:

Os brasileiros são conhecidos por sua forte ênfase no prazer, sexo e diversão, o que pode contribuir para uma maior incidência de infidelidade.

Possessividade nos relacionamentos:

Em alguns casos, a possessividade e o comportamento controlador podem ser uma reação ao risco percebido de infidelidade.

Generalização:

É importante lembrar que o Brasil é um país grande e nem todos compartilham os mesmos valores ou comportamentos. Muitos brasileiros são parceiros fiéis.

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